Prezado visitante,
Não deixe de dar uma olhada em nossa página da Feira Virtual de Mídias Educacionais, com a exposição dos trabalhos publicados pelas acadêmicas do 1º período do Curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Sapucaí.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Práticas de leitura na sala de aula
Talita Moretto é uma jornalista que escolheu utilizar a comunicação a favor da educação. Idealizadora do Sala Aberta: http://salaaberta.com.br/
terça-feira, 28 de abril de 2015
Desafios da televisão e do vídeo à escola
Por JOSÉ MANUEL MORAN*
Introdução[1]
Estamos deslumbrados com o computador e a Internet na escola
e vamos deixando de lado a televisão e o vídeo, como se já estivessem
ultrapassados, não fossem mais tão importantes ou como se já dominássemos suas
linguagens e sua utilização na educação.
A televisão, o cinema e o vídeo – os meios de comunicação
audiovisuais – desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante.
Passam-nos continuamente informações, interpretadas; mostram-nos modelos de comportamento,
ensinam-nos linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em
detrimento de outros.
A informação e a forma de ver o mundo predominantes no
Brasil provêm fundamentalmente da televisão. Ela alimenta e atualiza o universo
sensorial, afetivo e ético que crianças e jovens – e grande parte dos adultos – levam
a para sala de aula. Como a TV o faz de forma mais despretensiosa e sedutora, é
muito mais difícil para o educador contrapor uma visão mais crítica, um
universo mais abstrato, complexo e na contramão da maioria como a escola se
propõe a fazer.
A TV fala da vida, do presente, dos problemas afetivos – a
fala da escola é muito distante e intelectualizada – e fala de forma impactante
e sedutora – a escola, em geral, é mais cansativa. O que tentamos contrapor na sala
de aula, de forma desorganizada e monótona, aos modelos consumistas vigentes, a
televisão, o cinema, as revistas de variedades e muitas páginas da Internet o
desfazem nas horas seguintes. Nós mesmos como educadores e telespectadores
sentimos na pele a esquizofrenia das visões contraditórias de mundo e das
narrativas (formas de contar) tão diferentes dos meios de comunicação e da
escola.
Na procura desesperada pela audiência imediata, fiel e
universal, os meios de comunicação hiper-exploram nossas emoções, fantasias,
desejos, medos e aperfeiçoam continuamente estratégias e fórmulas de sedução
dependência. Passam com incrível facilidade do real para o imaginário,
aproximando-os em fórmulas integradoras, como nas telenovelas e nos
reality-shows como o Big-Brother e semelhantes.
Diante desse panorama, os educadores costumamos contrapor a
diferença de funções e da missão da televisão e da escola. A TV somente
entretém enquanto que a escola educa. Justamente porque a televisão não diz que
educa o faz de forma mais competente. Ela domina os códigos de comunicação e os
conteúdos significativos para cada grupo: os pesquisa, os aperfeiçoa, os
atualiza. Nós educadores fazemos pequenas adaptações, damos um verniz de
modernidade nas nossas aulas, mas fundamentalmente continuamos prendendo os
alunos pela força e os mantemos confinados em espaços barulhentos, sufocantes,
apertados e fazendo atividades pouco atraentes. Quem educa quem a longo prazo?
Como a televisão se comunica
Os meios de comunicação, principalmente a televisão,
desenvolvem formas sofisticadas multidimensionais de comunicação sensorial,
emocional e racional, superpondo linguagens e mensagens, que facilitam a interação,
com o público. A TV fala primeiro do "sentimento" – o que você sentiu", não o que você conheceu; as ideias estão embutidas na roupagem
sensorial, intuitiva e afetiva.
A televisão e o vídeo partem do concreto, do visível, do
imediato, próximo, que toca todos os sentidos.
Mexem com o corpo, com a pele, as sensações e os sentimentos – nos tocam e "tocamos" os outros, estão ao nosso alcance através dos
recortes visuais, do close, do som estéreo envolvente.
Isso nos dá pistas para começar na sala de aula pelo
sensorial, pelo afetivo, pelo que toca o aluno antes de falar de ideias, de
conceitos, de teorias. Partir do concreto para o abstrato, do imediato para o
mediato, da ação para a reflexão, da produção para a teorização.
A eficácia de
comunicação dos meios eletrônicos, em particular da televisão, se deve também à
capacidade de articulação, de superposição e de combinação de linguagens
diferentes – imagens, falas, música, escrita - com uma narrativa fluida, uma
lógica pouco delimitada, gêneros, conteúdos e limites éticos pouco precisos, o que
lhe permite alto grau de entropia, de flexibilidade, de adaptação à
concorrência, a novas situações. Num olhar distante tudo parece igual, tudo se
repete, tudo se copia; ao olhar mais de perto, por trás da fórmula conhecida,
há mil nuances, detalhes que introduzem variantes adaptadoras e
diferenciadoras.
A força da linguagem audiovisual está em que consegue dizer
muito mais do que captamos, chegar simultaneamente por muitos mais caminhos do
que conscientemente percebemos e encontra dentro de nós uma repercussão em
imagens básicas, centrais, simbólicas, arquetípicas, com as quais nos
identificamos ou que se relacionam conosco de alguma forma. [2]
Televisão e vídeo combinam a dimensão espacial com a
sinestésica, ritmos rápidos e lentos, narrativas de impacto e de relaxamento.
Combinam a comunicação sensorial com a audiovisual, a intuição com a lógica, a emoção
com a razão. A integração começa pelo sensorial, o emocional e o intuitivo,
para atingir posteriormente o racional. Exploram o voyeurismo, e mostram até a
exaustão planos, ângulos, replay de determinadas cenas, situações, pessoas,
grupos, enquanto ignoram a maior parte do que acontece no cotidiano. Mostram a
exceção, o inusitado, o chocante, o horripilante, mas também o terno – um bebê desamparado,
por exemplo. Destacam os que detêm atualmente algum poder – político, econômico
ou de identificação/projeção: artistas, modelos, ídolos esportivos. Quando o
perdem, desaparecem da tela.[3]
A organização da narrativa televisiva, das situações, ideias
e valores é muito mais flexível e contraditória do que a da escola. As
associações são feitas por semelhança, por contraste, muitas vezes estéticos.
As temáticas evoluem de acordo com o momento, a audiência, o impacto.
Os temas são pouco aprofundados, explorando os ângulos
emocionais, contraditórios, inesperados. Passam a informação em pequenas doses
(de forma compactada), organizadas em forma de mosaico (rápidas sínteses de
cada assunto) e com apresentação variada (cada tema dura pouco e é ilustrado).
A televisão estabelece uma conexão aparentemente lógica
entre mostrar e demonstrar. Mostrar é igual a demonstrar, a provar, a
comprovar. Uma situação isolada converte-se em situação paradigmática, padrão, universal.
Ao mesmo tempo, o não mostrar equivale a não existir, a não acontecer. O que
não se vê, perde existência.[4]
Estratégias de utilização da TV e do vídeo
Diante dessas linguagens tão sofisticadas a escola pode
partir delas, conhecê-las, ter materiais audiovisuais mais próximos da
sensibilidade dos alunos. Gravar materiais da TV Escola, alguns dos canais
comerciais, dos canais da TV a cabo ou por satélite e planejar estratégias de
inserir esses materiais e atividades que sejam dinâmicas, interessantes,
mobilizadoras e significativas.[5]
A televisão e a Internet não são somente tecnologias de
apoio às aulas, são mídias, meios de comunicação. Podemos analisá-las, dominar
suas linguagens e produzir, divulgar o que fazemos. Podemos incentivar que os
alunos filmem, apresentem suas pesquisas em vídeo, em CD ou em páginas WEB -
páginas na Internet. E depois analisar as produções dos alunos e a partir delas
ampliar a reflexão teórica.
A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios
de comunicação e mostrá-lo na sala de aula, discutindo-o com os alunos,
ajudando-os a que percebam os aspectos positivos e negativos das abordagens sobre
cada assunto. Fazer re-leituras de alguns programas em cada área do
conhecimento, partindo da visão que os alunos têm, e ajudá-los a avançar de
forma suave, sem imposições nem maniqueísmos (bem x mal).[6]
Conclusão
A televisão, o cinema, a Internet e demais tecnologias nos
ajudam a realizar o que já fazemos ou que desejamos. Se somos pessoas abertas,
nos ajudam a comunicar-nos de forma mais confiante, carinhosa e confiante; se
somos fechadas, contribuem para aumentar as formas de controle. Se temos
propostas inovadoras, facilitam a mudança.
Educar com novas tecnologias é um desafio que até agora não
foi enfrentado com profundidade. Temos feito apenas adaptações, pequenas
mudanças. Agora, na escola, no trabalho e em casa, podemos aprender continuamente,
de forma flexível, reunidos numa sala ou distantes geograficamente, mas
conectados através de redes de televisão e da Internet. O presencial se torna
mais virtual e a educação a distância se torna mais presencial. Os encontros em
um mesmo espaço físico se combinam com os encontros virtuais, a distância, através
da Internet e da televisão.
Estamos aprendendo, fazendo. Os modelos de educação
tradicional não nos servem mais. Por isso é importante experimentar algo novo
em cada semestre. Fazer as experiências possíveis nas nossas condições concretas.
Perguntar-nos no começo de cada semestre: “O que estou fazendo de diferente
neste curso? O que vou propor e avaliar de forma inovadora?” Assim, pouco a
pouco iremos avançando e mudando.
Podemos começar por formas de utilização das novas
tecnologias mais simples e ir assumindo atividades mais complexas.
Experimentar, avaliar e experimentar novamente é a chave para a inovação e a
mudança desejadas e necessárias.
Caminhamos para uma flexibilização forte de cursos, tempos,
espaços, gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias, avaliação. Isso
nos obriga a experimentar pessoal e institucionalmente a integração de
tecnologias audiovisuais, telemáticas (Internet) e impressas.
Vivemos uma época de grandes desafios no ensino focado na
aprendizagem. E vale a pena pesquisar novos caminhos de integração do humano e
do tecnológico; do sensorial, emocional, racional e do ético; do presencial e
do virtual; de integração da escola, do trabalho e da vida.
_____________________________
[1] Texto de apoio ao programa Salto para o Futuro da TV
Escola no módulo TV na Escola e os Desafios de Hoje. no dia 25/06/2002.
Disponível em <http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/tedh/tedhtxt2b.htm2>
[2] Um livro importante para entender as linguagens e formas
de utilização do vídeo é o de Joan FERRÉS. Vídeo e Educação. 2a ed., Porto
Alegre, Artes Médicas, 1996.
[3] Maiores informações em MACHADO, Arlindo. A arte do
vídeo. São Paulo, Brasiliense, 1988.
[4] Para entender as mudanças da cultura audiovisual,
recomendo o livro Os novos modos de compreender de Pierre BABIN e Marie
KOULOUMDJIAN. São Paulo, Paulinas, 1989.
[5] No meu artigo O vídeo na sala de aula apresento algumas
situações e formas de utilizar o vídeo. Pode ser acessado em
www.eca.usp.br/prof/moran/vidsal.htm
[6] A utilização inovadora da televisão, Internet e outras
tecnologias na educação pode ser aprofundada no livro Novas Tecnologias e
Mediação Pedagógica de MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda.
12 a ed., Campinas, Papirus, 2006.
Fonte: Tecnologias na Educação | Educação Humanista Inovadora. Acesso em: 8 abr. 2015.
*José Manuel Moran
é especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância.
sábado, 18 de abril de 2015
Celso Antunes e os Quatro Pilares da Educação
Celso Antunes fala sobre os quatro pilares da educação que devem ser ensinados dentro da sala de aula.
Celso Antunes é um educador brasileiro. Mestre em Ciências Humanas e especialista em inteligência e cognição.
Vídeo indicado pelas alunas Aline Mayara Rodrigues, Larissa de Oliveira Maciel Morais e Wivian Andrade de Souza.
Celso Antunes é um educador brasileiro. Mestre em Ciências Humanas e especialista em inteligência e cognição.
Vídeo indicado pelas alunas Aline Mayara Rodrigues, Larissa de Oliveira Maciel Morais e Wivian Andrade de Souza.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Guiomar de Grammont: Ler devia ser proibido
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social.
Por GUIOMAR DE GRAMMONT*
Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
*Guiomar de Grammont é mineira de Ouro Preto, historiadora, filósofa e escritora. Já publicou contos, antologias, livros sobre historiografia e o romance A casa dos espelhos.
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Fonte: Trecho do livro, PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-3.
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Fonte: Trecho do livro, PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-3.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Utilizando o Blog como Webfólio
por MARY GRACE MARTINS e MÁRCIO ZENKER*
Blog vem da abreviação de Weblog: web (tecido, teia, Internet) e log (diário de bordo). É um recurso que possibilita publicar textos, imagens e em alguns casos até mesmo áudio e vídeo. Cada publicação realizada é chamada de post.
Uma das principais características e que o torna colaborativo é o espaço para comentário dos participantes. Alguns blogs disponibilizam também o recurso de trackback, uma tecnologia que busca e publica no blog do usuário as referências realizadas em outros blogs ao seu post. Estes recursos são de fundamental importância para os “blogueiros”(como são chamados os criadores de blogs) pois revela o que os visitantes acham de sua página.
Para Gutierrez (2003, on-line) um aspecto importante que difere os blogs de sites comuns é justamente a “ facilidade com que podem ser criados, editados e publicados, sem a necessidade de conhecimentos técnicos especializados.”
Há também a possibilidade de criação de blog colaborativo. Ainda que a maioria dos serviços tenha sido pensada para produções individuais, é possível inscrever mais de um aluno ou até mesmo a turma toda em um mesmo blog.
Dentre as diversas razões para trabalharmos com estes recursos na educação, destacamos as seguintes:
Periodicamente esses blogs poderão ser utilizados para avaliação conjunta do processo. Esse exercício é importante para que alunos e educadores reflitam sobre seus objetivos e metas para continuidade do(s) projeto(s) propostos.
Essa forma de trabalho não diminui a importância do professor, que deve ser o principal mediador no processo de aprendizagem, no entanto, possibilita que os alunos percebam que também é possível ir em busca do próprio conhecimento e aprender com os colegas, por meio da colaboração e não apenas com o professor.
Quando os alunos utilizam a Internet para publicar suas produções, além de socializar o conhecimento descoberto e desta forma sentirem-se mais valorizados, possibilitam que seus educadores tenham acesso aos projetos desenvolvidos.
Blog vem da abreviação de Weblog: web (tecido, teia, Internet) e log (diário de bordo). É um recurso que possibilita publicar textos, imagens e em alguns casos até mesmo áudio e vídeo. Cada publicação realizada é chamada de post.
Uma das principais características e que o torna colaborativo é o espaço para comentário dos participantes. Alguns blogs disponibilizam também o recurso de trackback, uma tecnologia que busca e publica no blog do usuário as referências realizadas em outros blogs ao seu post. Estes recursos são de fundamental importância para os “blogueiros”(como são chamados os criadores de blogs) pois revela o que os visitantes acham de sua página.
Para Gutierrez (2003, on-line) um aspecto importante que difere os blogs de sites comuns é justamente a “ facilidade com que podem ser criados, editados e publicados, sem a necessidade de conhecimentos técnicos especializados.”
Há também a possibilidade de criação de blog colaborativo. Ainda que a maioria dos serviços tenha sido pensada para produções individuais, é possível inscrever mais de um aluno ou até mesmo a turma toda em um mesmo blog.
Dentre as diversas razões para trabalharmos com estes recursos na educação, destacamos as seguintes:
- Os alunos percebem que podem produzir algo que será disponibilizado para qualquer pessoa, assim como tem feito alguns artistas, jornalistas e outros profissionais famosos;
- Possibilita um trabalho interdisciplinar;
- Integra o ensino, aprendizagem e avaliação;
- Propicia uma visão holística (relação parte e todo);
- Incentiva o aluno a refletir sobre o seu próprio trabalho;
- Permite que alunos e professores tenham dimensão do processo de construção e aprendizagem;
- Melhora a auto-estima dos alunos;
- Incentiva os alunos a valorizarem e divulgarem sua produção;
- Desenvolve habilidades de leitura, escrita, análise e síntese;
- Não é uma atividade exclusivamente escolar, o que a torna ainda mais interessante para os alunos;
- Os pais podem ter acesso e dessa forma passam a valorizar mais o que os filhos fazem na escola.
- Cada aluno pode ser incentivado a manter o seu blog pessoal e periodicamente ter um tempo disponibilizado pelo professor, para que possa atualizá-lo;
- Os alunos podem criar e manter um blog individual ou coletivo sobre um determinado tema/projeto;
- Cada turma pode ter um blog e a cada semana um responsável atualiza, registrando o que for mais significativo para o grupo.
Periodicamente esses blogs poderão ser utilizados para avaliação conjunta do processo. Esse exercício é importante para que alunos e educadores reflitam sobre seus objetivos e metas para continuidade do(s) projeto(s) propostos.
- Alunos podem reunir-se em pequenos grupos, explorar as produções dos colegas, levantar questões e comentários a respeito de suas produções, opiniões ou atividades desenvolvidas;
- Professores podem lançar debates coletivos buscando compreender tanto as necessidades levantadas pelos alunos, quanto suas sugestões para melhoria e continuidade do projeto;
- As reflexões e debates realizados em sala de aula ou por meio das ferramentas de comunicação dos blogs, podem ser sintetizadas para um debate também com outros educadores. Em parceria, os professores também conseguirão soluções para aperfeiçoar sua prática pedagógica.
Essa forma de trabalho não diminui a importância do professor, que deve ser o principal mediador no processo de aprendizagem, no entanto, possibilita que os alunos percebam que também é possível ir em busca do próprio conhecimento e aprender com os colegas, por meio da colaboração e não apenas com o professor.
Quando os alunos utilizam a Internet para publicar suas produções, além de socializar o conhecimento descoberto e desta forma sentirem-se mais valorizados, possibilitam que seus educadores tenham acesso aos projetos desenvolvidos.
_______________________________________________
BERTOCHI, Sonia. Webfólio: o portfólio da era digital. Portal Educarede, 2004. Disponível em http://www.educarede.org.br
DUTRA, Í. M.; LACERDA, Rosália Procasko. Tecnologias na Escola: algumas experiências e possibilidades. Renote Revista Novas Tecnologias na Educação, Porto Alegre-RS, v. 1, n. 1, 2003. Disponível em: http://www.cinted.ufrgs.br/renote/fev2003/artigos/italo_tecnologias.pdf
GUTIERREZ, Suzana. Weblogs e educação: contribuição para a construção de uma teoria. Revista Novas Tecnologias na Educação - Renote. Porto Alegre: CINTED-UFRGS, v. 3, n. 1, mai. 2005. Disponível em: http://www.cinted.ufrgs.br/renote/maio2005/artigos/a15_welogs.pdf.
HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura Visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre : Artmed, 2000
MORAN, José Manual. As possibilidades das redes de aprendizagem. ECA/USP, 2005. Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/
SHORES, Elizabeth; GRACE, Cathy. Manual de Portfólio: Um guia passo a passo para o professor. Porto Alegre. Artes Médicas, 2000.
Fonte: Direcional Educador. Acesso em: 5 mar. 2015.
* Mary Grace Martins é pedagoga pela Faculdade de Educação da USP, atua na área de formação de professores para uso da tecnologia e ensino à distância. É consultora pedagógica do Instituto Crescer para a Cidadania e também da Microsoft Educação.
Márcio Zenker é psicólogo pela USP com pós-graduação em Recursos Humanos pela FGV. Foi professor da FGV em Psicologia Aplicada. É professor de graduação, MBAs e Pós-Graduação da UNISA, UNASP, UniFEI e SENAC.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Reflexão sobre as novas tecnologias educacionais
O Prof. Sérgio Américo Boggio, Diretor de Tecnologia Educacional do Colégio Bandeirantes, mostra como a relação do ser humano com os meios digitais nos trouxe tanto habilidades diferentes como algumas consequências delicadas.
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